A busca pela inserção de crianças e adolescentes em situação de rua no meio cultural lançou o projeto Abrindo Horizontes.
Ao andar pela Rua dos Andradas e observar o elevado número dos meninos de rua que se instalavam por ali, o então diretor da Casa de Cultura Mário Quintana, Sérgio Napp, pensou em chamá-los para os arredores da CCMQ.
A partir de uma doação anônima no valor de R$ 700 para a Casa, o traço do projeto ganhou riscos mais fortes, mais delineados e saiu do papel. Em março de 2004, através de um trabalho de voluntariado, a psicóloga Léa Peres Day e a médica Loreta Napp colocaram a idéia em prática com o desenvolvimento do Abrindo Horizontes.
No início, as coordenadoras iam atrás das crianças e dos adolescentes. Logo veio o apoio de instituições sociais. O primeiro parceiro foi o Lar Dom Bosco. Este contato com os meninos de rua começou a ser mais aprofundado com a ajuda de Adriano de Mello. Contratado pelo projeto como mediador, ele ia para a CCMQ de terça a sexta, das 15h às 17h, e, aos poucos, chamou a atenção dos meninos. O principal atrativo era o lanche.
O Abrindo Horizontes começou timidamente, com cinco crianças. Segundo a coordenadora Loreta Napp, elas começaram a procurar a Casa, o que já elevou o número para mais de 500, mas como o espaço é limitado e algumas necessitam de atenção especial, foram encaminhadas a instituições sociais parceiras. Hoje são 70 no total.
“Enquanto as crianças têm algum contato com a família, que eu chamo de uniparentes, outras estão na rua mesmo ou vão para abrigos, mas nem todas gostam pelas regras que devem seguir. Para entrar no projeto, as únicas exigências são não consumir drogas, nem álcool e não portar objetos que possam machucar”, explica a coordenadora.
O projeto conta com apoio do Governo do Estado e patrocínio cultural da Copesul, através da Lei Rouanet. No dia 28 de novembro, a Associação de Amigos Abrindo Horizontes foi oficializada com recebimento de certificado. Com isso, um canal para obtenção de recursos está aberto.